Quando a bagunça não agrada mais
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| Foto: Jessica Jones / Tumblr |
Tudo está bagunçado de novo,
as roupas em cima da cama, meias jogadas pelo chão do quarto e nada está onde
deveria estar. Não posso dizer que não foi intencional, quando percebi já era
tarde. Eu não tinha muitas opções, ou arrumava e deixava tudo organizado, ou
viveria no meio da bagunça. A principio a bagunça não me assustou, até dava pra
dormir bem durante a noite. Mas com o tempo ela só foi aumentando e eu já não
sabia mais o que fazer.
Decidi que não quero mais
viver na bagunça, sem saber onde está cada coisa, cada peça que falta nem o que
há de sobra. Tem muita coisa fora do lugar, coisas que não me pertencem, coisas
que não uso mais, coisas que nem sabia que ainda estavam ali.
E em meio a bagunça eu me
perdi. Sem saber lidar com tudo fora do lugar, tirei um tempo para reorganizar.
Além de arrumar o quarto, decidi colocar no lugar certo todos os meus sentimentos.
A bagunça não era só externa.
Dentro da minha cabeça as
coisas perdem o sentido muito fácil, como por exemplo, uma pessoa legal que
poderia mudar minha vida se tornar apenas “alguém conhecido”. Isso é o que mais
odeio. Nenhuma pessoa devia ser facilmente substituída por outra. Mas eu mesma
acabo fazendo isso, quase sempre sou aquela que se aproxima, faz o outro gostar
e do nada some sem mais nem menos.
Tem dias que eu simplesmente não
sei como começar. Quando eu acho que tudo está dando certo, há sempre um muro
que desmorona pra mostrar que eu estava errada.
Se eu pudesse escolher ser uma
personagem, eu seria Alasca Young, Margo Roth Spielgman, Anita e a menina que
roubava livros. Todas ao mesmo tempo. A menina que roubava livros por
sobreviver a morte, superar a perda e encontrar refúgio nas palavras e nos
livros. Alasca Young por não ter medo de morrer, e morrer um pouco mais a cada
dia. Margo Roth Spielgman por ser incompreensível, mas sempre querer que as
pessoas ao seu redor te compreendam. E Anita por ser sonhadora, por arriscar
mesmo estando com medo e sabendo que tudo pode dar errado.
É engraçado como personagens fictícios
podem nos representar tão bem. Talvez por isso eu continuo escrevendo, mesmo
que sobre mim ou sobre um amor. Mas principalmente sobre alguém que um dia vou
ser.
Agora a bagunça está menor, já
consigo ver mais espaços para preencher da forma certa sem colocar muita coisa.
Vamos ver se tudo vai melhorar. Apesar de estar cansada e não saber o que
fazer, acredito que no final, além do fim, tudo valerá a pena.
Só eu posso me erguer e me
construir, a cada dia que passa tento colorir a vida, pintando o meu infinito.


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